2025 marca o décimo aniversário do desenvolvimento do Pixel, mas os portugueses tiveram de esperar até 2023 para poderem passar a ter acesso oficial às propostas da Google. A marca tardou a chegar ao mercado nacional, mas chegou com ganas. Afinal de contas, falamos da empresa responsável pelo Android, o sistema operativo usado pela esmagadora maioria dos fabricantes de smartphones (a Apple com o seu iOS joga num campeonato à parte). Que a Google começasse a fabricantes os seus próprios telemóveis pareceu sempre uma questão de tempo e de capacidade de gestão do ecossistema de parceiros (estar a vender o seu sistema operativo a nomes como Samsung ou Xiaomi e, ao mesmo tempo, lançar dispositivos concorrentes implica algum jogo de cintura).
Pessoalmente, estava muito curioso em testar o Pixel 10 Pro. A chegada oficial da Google ao mercado português coincidiu, mais ou menos, com a minha saída da área de reviews profissionais, e tinha tido apenas um contacto esporádico com as propostas Pixel (o meu smartphone ‘da empresa’ é um Pixel 8a). É quase como começar a testar uma marca do zero. E isso é aliciante.
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Há uma inegável aura de topo de gama no Pixel 10 Pro. É elegante e tem boa qualidade de construção. Apesar do peso e espessura acima da média, é confortável na mão, muito graças ao rebordo em metal com acabamento acetinado e à traseira em vidro polido. Está à venda nas cores preto, branco, cinzento e verde.
A nível de design, o ‘elefante na sala’ é o módulo de câmaras, que ocupa toda a largura do terminal. Por um lado, isto impede que o Pixel se ‘desequilibre’ quando o pousamos numa superfície plana, mas, por outro lado, a saliência é considerável e pouco estética. Uma questão que pode ser minimizada com uma capa, algo que a Google não disponibiliza na caixa (nem uma daquelas transparentes mais básicas).
Aliás, o carregador também não está incluído. Uma tendência que se tornou geral, bem sei, mas difícil de entender para um smartphone que implica o investimento de 1119€ (e é a versão mais barata). Por exemplo, o meu telefone pessoal tem 6 anos e o carregador é USB-A para USB-C, o que significa que nem serve para carregar o Pixel. Dar mais de mil euros por um telemóvel e depois ainda ter de gastar mais num carregador e numa capa de proteção acaba por ser penalizador.
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Dito isto, refira-se que o Pixel 10 Pro conta com Corning Gorilla Glass Victus 2 e certificação IP68 para uma maior resistência a quedas, riscos, derrames e poeira. E conta igualmente com a tecnologia magnética Pixelsnap. Isto significa que é possível encaixar carregadores, suportes ou outros acessórios compatíveis no Pixel 10.
Características (specs):
Ecrã LTPO OLED de 6,3” (1280x2856 a 495 ppp, 20:9) * Processador Google Tensor G5 * 16 GB de RAM * 128 GB de armazenamento * Bateria de 4870 mAh * Câmaras: grande angular de 50 MP; ultra grande angular de 48 MP; teleobjetiva de 5x de 48 MP; frontal de 42 MP * Wi-Fi 7, Bluetooth 6 * IP68 * Android 16 * 152,8x72x8,6 mm * 207 g * Preço: 1119€
O Pixel 10 Pro conta com um ecrã LTPO OLED de 6,3” – se apreciar painéis maiores, a Google disponibiliza a versão Pro XL, que tem 6,8”. Gostámos das cores vibrantes e da definição apurada (resolução de 2856x1280), acabando por ser uma boa opção para quem gosta de ver umas séries no smartphone (o rácio é de 20:9). A taxa de atualização pode chegar aos 120 Hz, o que garante fluidez, e o brilho máximo pode atingir os 3300 nits (até 2200 nits em HDR). Um brilho muito elevado, mas que não é milagroso. Por exemplo, num dia soalheiro, fomos tirar umas fotos sob forte exposição solar e era quase impercetível perceber o que estava a ser exibido no ecrã.
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Em termos de desempenho, temos um processador Tensor G5 e 16 GB de RAM como força motriz. Os benchmarks mostram que este não é o smartphone mais poderoso do mercado (os testes de single-core, por exemplo, colocam o Pixel 10 Pro no mesmo patamar do Samsung Galaxy S24 Ultra que incorpora um chip Snapdragon 8 Gen 3 da Qualcomm e que foi lançado no início de 2024). Mas, na prática, não sentimos quaisquer problemas durante os testes. Rapidez na navegação e na alternância de apps, mesmo com várias abertas em simultâneo, fluidez no scroll – claramente, os topos de gama têm uma performance que satisfaz plenamente a esmagadora maioria dos utilizadores. Todavia, a traseira aqueceu um pouco quando puxámos muito pelo grau de exigência das tarefas.
Benchmarks:
Geekbench 6: CPU single-core – 2045; CPU multi-core – 4501; GPU – 3094 * PCMark 3.0: 15952 * 3DMark: Wild Life Extreme – 3177
A versão que recebi para teste foi a de 128 GB de armazenamento. A mais modesta, portanto. Mas, ainda assim, mais do que suficiente para quem tem muitas apps instaladas por motivos profissionais e que gosta de guardar vários anos de fotografias no dispositivo. E, claro, a menor capacidade de armazenamento também significa um preço mais simpático.
A bateria de 4870 mAh teve um bom comportamento. A capacidade não é grande – fica até abaixo da barreira psicológica dos 5000 mAh numa altura em que a Oppo até lançou um topo de gama com 7500 mAh –, mas já se sabe que a rentabilização do sistema operativo faz muita diferença a nível de eficiência energética. Portanto, conseguirá um mínimo de um dia de utilização sem ter de ligar o Pixel à corrente (e voltamos a frisar que o carregador tem de ser comprado à parte e estamos limitados a uns 'lentos' 30 W). A nível de carregamento sem fios Pixelsnap, há certificação Qi2 para se poder chegar até aos 15 W.
E como aludimos ao sistema operativo, há que aplaudir a garantia dada pela Google de acesso a atualizações e novas funcionalidades durante 7 anos. De resto, no campo do software, destaque-se a presença da funcionalidade de deteção de acidentes de carro e alertas de crise, sem esquecer, como não podia deixar de ser, a forte integração com Gemini para tentar rentabilizar a componente de Inteligência Artificial. O Pixel 10 até inclui uma subscrição de um ano do plano Google AI Pro (que oferece acesso, por exemplo, a Gemini no Gmail e Documentos ou a Veo 3 Fast para criar vídeos).
Merece igualmente destaque a estreia da interface gráfica Material 3 Expressive, embora ache que a maioria das pessoas não vai sentir grande diferença na experiência de utilização, já que as principais novidades se prendem com umas animações mais dinâmicas e fluídas.
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Concentremos agora as atenções naquilo que mais gostámos no Pixel 10 Pro: a fotografia. Cores vivas, bons contrastes, pormenores captados com rigor, um zoom potente e eficaz, um modo noite surpreendente e selfies com detalhe. Como é que a Google chega lá? Com uma equipa composta por um quarteto de câmaras:
- Grande-angular Octa PD de 50 MP, abertura de ƒ/1.68, campo de visão de 82°, sensor de imagem de 1/1,3"
- Ultra grande-angular Quad PD de 48 MP com focagem automática, abertura de ƒ/1,7, campo de visão de 123°, sensor de imagem de 1/2,55"
- Teleobjetiva Quad PD de 48 MP com estabilização ótica de imagem, abertura de ƒ/2,8, campo de visão de 22°, zoom ótico de 5x, sensor de imagem de 1/2,55"
- Frontal Dual PD de 42 MP com focagem automática, abertura de ƒ/2,2, campo de visão Ultrawide de 103°
Aproveitámos um dia bonito para uma sessão fotográfica no pontão da Marginal de Oeiras e gostámos particularmente da cor do céu e das nuvens detalhadas nas imagens que captámos.
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Destacamos também o zoom digital. Deixamos abaixo uma foto do Farol do Bugio com 1x e, de seguida, outra tirada no mesmo sítio com zoom de 100x, deixando o chip Tensor G5 trabalhar com um modelo de imagens generativas novo para refinar detalhes mais complexos.
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Por fim, o modo Noite, em que, por exemplo, num quarto às escuras, com a única fonte de luz a vir do corredor, consegui esta foto da ‘sidekick’ Lucky.
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Fotografar com o Pixel 10 Pro acabou por ser, acima de tudo, uma experiência divertida. Até mesmo para os iniciantes (como eu, no fundo), pois é disponibilizado um modo Assistente, que oferece sugestões para melhorar as fotografias. Quer exemplos? Como escolher um enquadramento e uma composição diferentes para cada imagem. E também há o Melhor Take Automático, que pode ser ativado quando o smartphone deteta que está a tirar uma foto de grupo. Aí são analisadas até 150 fotogramas em apenas alguns segundos, procurando o momento em que cada pessoa está com o aspeto mais adequado.
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Em suma, não será o melhor smartphone da atualidade, mas o Pixel 10 Pro apresenta argumentos pungentes para combater de igual para igual na arena dos topos de gama. A Google não aparece ainda no top 5 das marcas com maiores quotas de mercado e nos Estados Unidos não passa dos 3%, mas a qualidade está lá. Será mais uma questão de tempo?
up, up, down, down, left, right, left, right, b, a, select, start
Toque premium na mão e boa qualidade de construção
Fotografia de excelência com cores vibrantes e uns brilharetes no modo noturno e no zoom
Módulo traseiro das câmaras sai demasiado do chassis
Carregador e capa deviam ser obrigatórios em smartphones desta gama de preço
Nota (0 a 10)
8
Um topo de gama versátil e recheado de atributos. Pode não ser o melhor do mercado, mas também não custa tanto como outros concorrentes