EA Sports FC 26 em análise: o que se pode dar a quem já tem tudo?
Perdeu a denominação FIFA, mas mantém o ritmo de um jogo novo a cada ano. EA Sports FC 26 chega com Jude Bellingham e Jamal Musiala na capa, que assim se juntam a Zlatan Ibrahimović, a estrela da versão Ultimate Edition do título. Para mim, foi a oportunidade de regressar a uma franquia que não tinha jogado nos últimos três anos. Confesso que estava particularmente curioso em ver o que tinha andado a perder.

Curioso e desconfiado. É que posso confessar que, durante os anos da batalha FIFA vs PES sobre qual o melhor simulador de futebol, fui sempre ‘team Konami’. Aliás, o Pro Evolution Soccer ou Winning Eleven fizeram-me comprar a minha primeira consola – uma PlayStation 2 –, tal o meu fascínio pelo jogo. Cheguei a jogar a versões do jogo com os menus em japonês (adivinhava os nomes dos jogadores pelos gráficos das notas) ou customizadas para o campeonato português (ainda me recordo das alegrias proporcionadas pelos atacantes Laelson e Demétrios do Moreirense). Participei em torneios de amigos com o meu Arsenal e o seu 4-2-2-2, onde Thierry Henry espalhava magia. Olhava para FIFA com algum desdém, faltava-lhe a vertigem ‘arcade’ de PES, era meio insosso.
Mas não deixei de estar atento ao longos desses anos. Ia vendo como o título evoluía e joguei várias versões. Mas a jogabilidade da Konami continuava a levar a minha preferência. Até que a guerra teve um vencedor claro e o PES foi relegado para segundo plano. O FIFA até mudou de nome. Por tudo isto, mergulhei mais a fundo em EA Sports FC 26.
Para começar, o número de opções à disposição impressiona. Não só nas opções, mas principalmente nos diferentes tipos de jogo. Um amigável rápido? Com certeza. Construir um clube de raiz? Pode ser. Criar um jogador e dedicar-se exclusivamente à evolução dele? Claro! Testar os dotes de treinador quase como se faz em Football Manager com os novos Desafios ao Vivo? Também há. Equipas e seleções masculinas, equipas e seleções femininas – são mais de 20.000 atletas, distribuídos por mais de 750 clubes e seleções nacionais, a competir em mais de 120 estádios e 35 ligas… As possibilidades são quase infinitas.

Há ainda dois modos de jogo: a Autêntica, que visa oferecer uma experiência mais fiel no Modo Carreira, com ressaltos, bloqueios e desvios baseados na física, para gerar resultados mais imprevisíveis e realistas, sendo que os colegas de equipa têm um comportamento mais responsável em termos posicionais, enquanto os desarmes, cabeceamentos e cantos refletem as taxas de sucesso do mundo real; e a Competitiva, que é ajustada para uma ação frente-a-frente no Ultimate Team e nos Clubes, com passes mais rápidos, ressaltos mais inteligentes do guarda-redes e um controlo mais direto.

E, sim, depois de ter saltado umas gerações, Sports FC cativou-me. Graficamente, está muito bem conseguido. Os movimentos dos jogadores, tanto os de campo como os guarda-redes, são fluídos e realistas. As próprias condições atmosféricas e do terreno (e a forma como condicionam o jogo) roçam a perfeição. Podemos frisar que alguns rostos são cópias quase idênticas dos futebolistas reais, mas também há outros (os menos famosos) que levam apenas um tratamento genérico.
A nível de licenciamento, a EA realizou um trabalho meritório. Só em algumas equipas italianas – como AC Milão, Inter de Milão ou Nápoles, por exemplo – somos brindados com nomes e equipamentos que não são oficiais.
Características (specs):
Plataformas: PlayStation 5 (testado), PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC, Amazon Luna, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2 * Preço: €79,99 (Ultimate Edition - €109,99)
A jogabilidade conquistou-me. Personalizei o comando às minhas velhinhas preferências e redescobri o prazer de um simulador de futebol: menos impetuoso do que os tempos áureos em que jogava muitas horas na PS4, mas realista e divertido. E com uma miríade de possibilidades de ajustes táticos, como mais funções de jogador, que despertam o Guardiola que há em nós.

Uma nota ainda para um tema que me é particularmente querido: as equipas clássicas. Temos à disposição o XI Lendário que conta com jogadores lendários como Eusébio, Pelé ou Cruyff, e o Soccer Aid, com craques mais recentes, como Ronaldo, Zidane ou van Basten. E ainda, como testei a Ultimate Edition, o Zlatan FC, uma equipa onde todos os elementos do plantel, nas suas mais variadas posições, são Ibrahimović – até o treinador… Diverti-me imenso, confesso. Mais do que esperava. Mas gostaria de poder usar estas equipas ou alguns dos seus jogadores em mais do que meros amigáveis. Não poder usar estes plantéis em quaisquer campeonatos, mesmo offline, parece-me o desperdiçar de um grande potencial.

De resto, há pequenos pormenores que vão cativando, como começar uma carreira de jogador no Benfica com Bruno Lage à frente da equipa e depois ver os servidores a fazerem a atualização para José Mourinho. Ou olhar para a bancada e ver uma mascote de águia junto aos adeptos. E já que falamos no modo Carreira, destaque para a nova funcionalidade Arquétipos, que permite evoluir atributos de forma mais personalizada e inspirada em lendas. Um exemplo: ser mais explosivo no arranque após uma tabela 1-2 como fazia Ronaldinho Gaúcho.
A grande questão é: faz sentido este modelo de negócio? Pagar €80 todos os anos por um jogo que apenas vai mudando ligeiramente e atualizando plantéis e as notas dos jogadores? Para o consumidor, a resposta é inequívoca: não! Mas a Konami tentou alterar isto ao lançar apenas updates anuais em vez de um título novo a cada 12 meses e acabou por ter PES obliterado pela concorrência. Portanto, se não tem nenhum simulador de futebol na biblioteca, EA Sports FC 26 é imperdível: uma panóplia de opções, excelentes gráficos e jogabilidade cativante. Se comprou o do ano passado, o investimento de mais €80 agora é pouco racional.
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Fluidez de movimentos e capacidade gráfica impressionam
Um Zlatan aqui, um Zlatan ali, um Zlatan acolá… Muito divertido este Zlatan FC da Ultimate Edition
Seria bom poder usar estes craques lendários em mais do que simples amigáveis
Ultimate Team e a saga das microtransações com coins…
Nota final (de 0 a 10):
8,5
O melhor simulador de futebol de sempre. Só não fica bem na biblioteca de jogos de quem já gastou dinheiro na versão do ano passado.