Motorola Edge 70 em análise: Finíssimo!
Há uns smartphones que apostam forte na autonomia, há outros que fazem ‘all in’ nas câmaras e depois há o Edge 70, que a Motorola aponta claramente às pessoas que procuram um terminal fino e leve. E este Edge não desaponta nesse campo. Bem pelo contrário.

Não há como fugir à surpresa quando pegamos no Motorola Edge 70 pela primeira vez. Com 5,99 mm de espessura e 159 g de peso – valores que deixam a concorrência a uma distância considerável –, é muito confortável de segurar. É, aliás, tão fino que chegámos a querer confirmar se não estaríamos perante uma versão ‘de brincar’.
O chassis combina uma estrutura de alumínio com um acabamento em silicone inspirado em nylon. É uma estética elegante e premium, que até acaba por ter a vantagem de não haver marcas de dedadas na traseira. O modelo que recebemos para análise era cinzento, mas o Edge 70 está igualmente disponível em branco, verde escuro e verde claro – tudo tons certificados pela Pantone.

Gostei bastante dos apontamentos de cor que a Motorola colocou nos aros das câmaras e no botão de atalho que se encontra na lateral esquerda. No caso do nosso modelo cinzento, esses detalhes eram em azul. Por exemplo, na versão verde escura a Motorola optou pelo amarelo. Já agora, continuando na onda dos elogios, a marca oferece uma capa magnética transparente.
Este é, portanto, um terminal muito confortável na mão. Mas isto não lhe retira robustez, já que tem certificação MIL-STD 810H1 para evitar desastres quando cai ao chão e também IP68+IP69 para garantir proteção contra poeiras e água.
Características:
Ecrã pOLED de 6,67” (2712x1220, 446 ppi, 20:09) * Processador Snapdragon 7 Gen 4 * 12 GB de RAM * 512 GB de armazenamento * Bateria de 4800 mAh * 2x câmaras traseiras de 50 MP, câmara frontal de 50 MP * Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.4 * Android 16 * Dual SIM (nano SIM + eSIM) * 159x74x5,99 mm * 159 g * Preço: €799
O ecrã pOLED tem 6,67 polegadas e impressiona pelo rácio ecrã/corpo de 96,32%. Ou seja, praticamente a totalidade do painel frontal é área de visualização, uma vez que a moldura é muitíssimo reduzida.
A resolução é de 2712x1220 e fui surpreendidos pelo elevado brilho que o Edge 70 é capaz de apresentar. As cores reproduzidas são vivas e há até certificação Pantone e HDR10+ para tons mais autênticos. A ter de apontar alguma coisa, diria que poderia haver mais contraste, mas este acaba por ser um bom smartphone para consumir uma série ou vídeos do YouTube.

No campo do harware, a Motorola apostou na combinação de 12 GB de RAM (expansível até 16 GB com a funcionalidade Reforço da RAM) com um processador Snapdragon 7 Gen 4. Os benchmarks mostram um desempenho satisfatório – não está ao nível da performance dos topos de gama mais poderosos, mas a verdade é que não sentimos qualquer problema durante a utilização quotidiana. Não é ideal para gaming, mas a navegação é fluída ao consultar e-mails, redes sociais, Internet e algumas apps utilitárias.
O armazenamento é de 512 GB, pelo que não deverá ter problemas com falta de espaço para guardar fotografias, vídeos ou músicas.
Já a bateria é de silício-carbono e tem uma capacidade de 4800 mAh. Conseguirá um dia de autonomia no mínimo sem problemas. O carregamento pode chegar aos 68 W na opção TurboPower, mas o carregador não vem incluído. Se valorizar o carregamento sem fios, saiba que é de 15 W no Edge 70.
Benchmarks:
Geekbench 6: CPU single-core – 1330; CPU multi-core – 4119; GPU – 4725 * 3DMark: Wild Life – 7594 (45,48 fps) / Wild Life Extreme – 2062 (12,35 fps)
As câmaras pareceram-me o ponto fraco do Edge 70. Não necessariamente porque não tenham qualidade, mas porque estamos perante um smartphone de 800€ e seria de esperar um pouco mais. Mas já lá vamos. Antes disso há que identificar as câmaras que temos à disposição:
* Frontal de 50 MP, 1,28 µm Quad Pixel, abertura f/2.0
* Traseira principal de 50 MP, 2,0µm Ultra Pixel, abertura f/1.8, OIS (Estabilização Ótica de Imagem)
* Traseira ultra grande angular de 50 MP, comprimento focal de 12 mm, 1,28 µm Quad Pixel, campo de visão de 120°, abertura f/2.0
A estas lentes junta-se um sensor de luz dedicado no módulo de câmaras traseiro.
Gostei das selfies com a câmara frontal, já que o efeito ‘bokeh’ (que é basicamente o desfoque do fundo) é conseguido de forma suave e é captado um bom nível de detalhe sem cair na artificialidade de, por exemplo, começar a alisar a pele. Os retratos com a câmara traseira também são convincentes, sendo que apreciei particularmente o facto do modo Retrato permitir alternar rapidamente entre os comprimentos focais de 24 mm, 35 mm ou 50 mm.

No cômputo geral, fiquei agradavelmente surpreendido pela capacidade do Edge 70 conseguir captar a vivacidade das cores. Mas quando se começam a colocar obstáculos a nível de iluminação, este Motorola não esconde as dificuldades em lidar com ambientes mais escuros. O Modo Noite é capaz de captar boas imagens junto às fontes de luz, mas nota-se o grão nas zonas mais escuras. E o zoom torna-se quase impossível de usar, algo, infelizmente, expectável devido à ausência de uma câmara telefoto. Por exemplo, tentámos puxar pelo zoom numa saída à noite para fotografar um monumento que se encontrava mais longe e o resultado do 20x foi um borrão que acabou por ter de ser apagado.
Destaque ainda para as funcionalidades de Inteligência Artificial disponíveis, como, por exemplo, a criação de um estilo de cor personalizado em detrimento de um mais realista ou a otimização das imagens através do recurso ao Photo Enhancement Engine.

Termino com uma referência ao software. O Edge 70 vem com Android 16 e a promessa de que receberá quatro grandes atualizações do sistema operativo e updates de segurança quinzenais até Julho de 2031.
E, claro, sendo um Motorola, não faltam os gestos Moto, de que sou fã e que permitem definir atalhos para ações específicas. Quer exemplos? Agitar o smartphone para ativar a lanterna ou girar o pulso duas vezes para abrir a câmara.
up, up, down, down, left, right, left, right, b, a, select, start
Qualidade de construção premium e espessura muito reduzida é um mimo estético e ergonómico
Ecrã com muito brilho e cores vivas
Desempenho não é avassalador
Câmaras desiludem para a gama de preço
Nota (de 0 a 10):
7,5
Um smartphone de sonho para quem privilegia uma espessura muito reduzida. Para os outros utilizadores, há alternativas com melhor relação qualidade/preço


























