Ghost of Yotei em análise: ‘Big in Japan’
5 anos depois de Ghost of Tsushima, a Sucker Punch volta ao Japão para nos trazer Ghost of Yotei. Mas, atenção, não estamos perante uma sequela tradicional, pois apesar de muitos traços de jogabilidade se manterem, o enredo é diferente.
Ghost of Yotei decorre no século XVII, ou seja, cerca de 300 anos depois da história protagonizada por Jin Sakai. Neste novo título assumimos o papel de Atsu, uma mercenária solitária que é atormentada pelos eventos que decorreram 16 anos antes e em que a sua família foi dizimada pelo grupo ‘Os 6 de Yotei’. Como é fácil de adivinhar, a nossa heroína está com sede de vingança.

Com áudio disponível em português, inglês e japonês, Ghost of Yotei impressiona desde o início pela cinematografia quando andamos a explorar o Japão rural. É até possível escolher diferentes filtros para uma experiência ainda mais parecida com a Sétima Arte, como um modo a preto e branco que é inspirado nos filmes de Akira Kurosawa.

Mas a cinematografia vai mais além, nota-se na composição das cenas, na iluminação, nos enquadramentos… Um pouco como já tínhamos visto em Ghost of Tsushima, é certo, mas agora de forma mais refinada. Este é, aliás, um traço transversal a Ghost of Yotei quando o comparamos com o antecessor: pegou nos melhores traços do jogo anterior e tentou elevá-los; ouviu as críticas e tentou minimizar os pontos fracos.
Vamos a exemplos. O maior problema do título original de 2020 é que acabava por se tornar demasiado repetitivo, com os mesmos tipos de missões a decorrerem em ambientes diferentes. Assim, Atsu tem agora à disposição missões secundárias mais variadas, pode contar com a ajuda de uma loba nos combates e tem mais armas ao dispor.
Enquanto Jin Sakai envergava sempre a sua espada e recorria a diferentes posturas contra inimigos de características específicas, Atsu conta com uma lança ou catana dupla, por exemplo. Armas de combate corpo-a-corpo que são desbloqueadas ao longo da narrativa e que se juntam a outras de longa distância, como arcos, e de arremesso, como kunai ou bombas.

Depois há muito para explorar na evolução dos atributos da nossa mercenária, como novos golpes. Uma exploração que dependerá muito do estilo de jogo de cada um, já que neste título de ação na terceira pessoa tanto pode optar por uma abordagem com assassinatos mais discretos (a minha preferida, admito) como por uma abordagem mais ‘à bruta’.
De resto, para melhorar as capacidades de Atsu é fortemente recomendável explorar o vasto mapa para encontrar altares, termas e afins que dão direito a prémios. Contudo, confesso que fiquei desanimado por Yotei já não contar com a composição de haikus presente em Tsushima – agora foi substituído por pinturas no touchpad do comando. Ainda me recordo com carinho do meu haiku preferido composto por Jin Sakai: “Folhas sobre o meu pai / Aqui jaz, a alma foi / Agora estou só”.

Há ainda a possibilidade de nos transformarmos em caçadores de prémios, perseguindo foras-da-lei e sendo recompensados financeiramente por isso, ou entrar em antros de jogo para tentar ganhar dinheiro ou amuletos extra. Algo particularmente relevante para quem gosta de depois investir em máscaras ou chapéus e na melhoria de armaduras e armas.
São muitas formas de obter recursos e inúmeras missões secundárias num mapa que se vai revelando à medida que vamos no encalço de cada um de ‘Os 6 de Yotei’. Ou seja, estão garantidas dezenas de horas de jogo para quem deseja embrenhar-se neste Japão rural.
Características:
Plataforma: PlayStation 5 * Estúdio: Sucker Punch * Preço: 79,99€
Quer isto dizer que é tudo ótimo? Não. Yotei não é tão repetitivo como Tsushima, mas a mecânica, apesar das diferentes nuances, é bastante semelhante. Se não apreciou o jogo anterior, este não o deverá cativar particularmente. O enredo também tem uns ‘twists’ que acabam por ser previsíveis. Alguns NPCs têm um aspeto demasiado genérico e similar entre si. E há alguns ‘glitches’ nas cutscenes em que as máscaras e chapéus da protagonista aparecem e desaparecem sem contexto.
Uma nota final para salientar que este exclusivo da PlayStation 5 volta a fazer bom uso das capacidades do DualSense. É que usamos o comando para realizar tarefas tão díspares como cozinhar, desenhar, tocar um instrumento ou começar uma fogueira tirando partido das características únicas do periférico da Sony.

up, up, down, down, left, right, left, right, b, a, select, start
Cinematografia em alta e paisagens arrebatadoras num mundo aberto com muito para explorar
Liberdade e variedade no combate e na personalização de Atsu
Nada de particularmente novo para quem não ficou fã de Ghost of Tsushima
Alguns glitches em cutscenes que indicam falta de atenção aos pormenores
Nota (de 0 a 10)
8,5
Não é uma sequela de Ghost of Tsushima, mas pega nos pontos fortes do título anterior e eleva ainda mais a experiência de jogo. Muitas horas de jogo garantidas graças ao mapa extenso e às inúmeras missões secundárias








